São Paulo, 3 de janeiro de 2026.
Como presidente da Frente Parlamentar Brasil-China e da Frente Parlamentar do BRICS, venho a público manifestar profunda preocupação com os recentes acontecimentos na Venezuela, que culminaram na operação militar dos Estados Unidos e na captura do presidente Nicolás Maduro.
O momento histórico que vivemos é de extrema delicadeza. Embora reconheçamos a complexidade da crise venezuelana e os desafios que a região enfrenta há anos, a intervenção militar direta e unilateral em território estrangeiro acende um alerta grave para a comunidade internacional. A história nos ensina que soluções de força, sem o amplo respaldo do direito internacional e do diálogo multilateral, frequentemente geram instabilidade duradoura e sofrimento para as populações civis.
Nossa posição, alinhada aos princípios que regem o BRICS e a diplomacia brasileira, é a da defesa intransigente da soberania das nações e da autodeterminação dos povos. No entanto, o pragmatismo e a responsabilidade nos impõem, agora, o dever de evitar que este episódio escale para um conflito de proporções regionais ou até globais.
Neste contexto crítico, instamos todas as partes envolvidas – Estados Unidos, nações latino-americanas, potências globais e atores regionais – a exercerem a máxima contenção e responsabilidade. A América do Sul não pode, em hipótese alguma, converter-se em arena de confrontação geopolítica ou em cenário de escalada que ponha em risco a paz continental e mundial.
Depositamos nossa confiança na diplomacia multilateral como instrumento insubstituível para a construção de consensos e a preservação da paz. Conclamamos a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA), a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e demais organismos internacionais a atuarem de forma proativa e coordenada, promovendo o diálogo entre todas as partes interessadas e assegurando que quaisquer desdobramentos ocorram em estrito respeito ao direito internacional, aos direitos humanos e à vontade soberana do povo venezuelano.
O Brasil, historicamente reconhecido por sua vocação pacificadora e por sua atuação construtiva no cenário internacional, tem o dever moral e político de contribuir para a desescalada desta crise. Nossa tradição diplomática, forjada ao longo de décadas, nos credencia a atuar como facilitador do diálogo, ponte entre diferentes visões e guardião dos valores que sustentam a convivência pacífica entre as nações. Que prevaleça a razão sobre a força, o diálogo sobre o confronto, e a paz sobre a guerra.
Deputado Federal Fausto Pinato
Presidente da Frente Parlamentar Brasil-China na Câmara dos Deputados
Presidente da Frente Parlamentar do BRICS na Câmara dos Deputados






Respostas de 2
É necessário uma estratégia mais direta como a que eles utilizaram. Não vender comida para os Estados Unidos. Em bloco organizado pelos países afetados e quem mais aderir de preferência através da ONU e dos BRICS.
Eles se colocaram numa posição que facilita serem isolados.
Devemos procurar outros fornecedores do que compramos dos EUA , devemos deixar de vender nossos produtos que são essenciais para eles.
Não conseguirão sequestrar , bombardear , atacar um grande número de países. Será que destruirão o planeta porque consideram como propriedade deles ?
Um posicionamento inteligente. Ninguém tem o direito de invadir uma nação soberana