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Metal precioso acumula alta de 15% em janeiro e se consolida como o principal refúgio contra incertezas globais; analistas preveem novos recordes
O mercado financeiro global testemunha um marco histórico neste início de ano. Em janeiro de 2026, o ouro ultrapassou a barreira inédita de US$ 5.000 por onça, consolidando uma das maiores valorizações das últimas décadas. Para investidores e economistas, o movimento não é apenas uma oscilação de mercado, mas o reflexo de uma transformação profunda na economia mundial.
Por que o ouro subiu tanto?
A disparada atual é sustentada por um tripé de fatores que transformou o metal no ativo mais cobiçado do momento:
Como o principal “porto seguro” do mundo, o ouro reage diretamente a conflitos. As recentes tensões comerciais entre EUA e China, operações militares na Venezuela e incertezas sobre o futuro da OTAN forçaram investidores a abandonarem moedas e ações em busca de proteção real. “Sempre foi assim: quando o mundo treme, o capital corre para o ouro. Essa é uma explicação simples, e confortável, para a disparada do ouro e de outros metais nos últimos meses: medo. O problema é que essa explicação já não é suficiente. O ouro não sobe apenas porque o risco aumentou. Ele sobe porque o sistema financeiro global se tornou excessivamente concentrado em um único eixo, o dólar, e começa, lentamente, a buscar saídas. Não por pânico imediato, mas por cálculo estratégico”, pontua o economista Fabio Ongaro, vice-presidente de finanças da Câmara Italiana do Comércio de São Paulo (Italcam).
Durante décadas, a lógica era automática. Em momentos de crise, o dólar se fortalecia. Em 2025, pela primeira vez, essa regra deixou de funcionar de forma consistente. Em episódios de tensão, tarifas comerciais, ameaças diplomáticas, ruídos institucionais, o dólar não se valorizou como esperado. Em alguns casos, enfraqueceu. “Esse detalhe altera profundamente o comportamento do capital global. Quando um grande fundo soberano, um fundo de pensão ou um banco central decide reduzir apenas alguns pontos percentuais de sua exposição ao dólar, o impacto é desproporcional. Não porque o dólar seja frágil, mas porque o estoque é gigantesco. Estamos falando de deslocar frações de um volume equivalente à produção anual de toda a economia mundial”, analisa Ongaro.
A política monetária do Federal Reserve (Fed) também tem sido um motor crucial. Com a confirmação de cortes nas taxas de juros americanas, os títulos do Tesouro perdem atratividade. Como o ouro não paga dividendos, ele se torna o destino preferencial quando a renda fixa tradicional rende menos.
Países como China e Índia lideram uma corrida global pela diversificação de reservas. O objetivo é claro: reduzir a dependência excessiva do dólar americano, fortalecendo as reservas nacionais com ativos físicos.





