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Após ataque dos EUA à Venezuela, Trump ameaça Colômbia e acusa Petro de narcotráfico. Presidente colombiano rebate
atualizado
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu às recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump , que o acusou de envolvimento com o narcotráfico, além de ter sugerido uma possível intervenção militar no país.
No sábado (3/1), forças dos EUA bombardearam alvos militares na capital venezuelana durante uma ação surpresa para remover Maduro do poder. No dia seguinte, durante uma entrevista a bordo do avião Air Force One, Trump afirmou que a Colômbia é governada por “um homem doente, que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”.
Questionado sobre se uma intervenção militar semelhante à da Venezuela estava nos planos para a Colômbia , o líder republicano respondeu: “Isso me soa bem”. E prosseguiu: “Sabe por quê? Porque eles matam muita gente”.
Petro rejeitou as acusações, destacando que o nome dele não aparece em nenhum processo judicial relacionado ao narcotráfico.
“Pare de me caluniar, senhor Trump. Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que emergiu da luta armada e, posteriormente, da luta do povo colombiano pela paz”, escreveu Petro na rede social X.
O presidente colombiano argumentou ainda com sua colaboração em investigações contra o tráfico quando era senador. “Não lê a história da Colômbia; por isso, erra quando nos critica”, declarou. “Não pensem que a América Latina é apenas um ninho de criminosos envenenando seu povo. Respeitem-nos e leiam nossa história, que remonta a 30 mil anos em toda a América.”
Em outro longo post, Petro criticou duramente o ataque a Caracas, classificando-o como “a primeira vez na história que uma capital sul-americana é bombardeada”, comparando a ação a regimes autoritários do passado.
“Os EUA são o primeiro país do mundo a bombardear uma capital sul-americana em toda a história da humanidade”, escreveu.
Petro também alertou para possíveis consequências caso os EUA tentem prendê-lo. “Caso prendam o presidente, a quem grande parte do meu povo aprecia e respeita, despertarão a onça-pintada do povo”, disse, em alusão ao maior predador da América do Sul.
O governo colombiano, por meio do Ministério das Relações Exteriores, classificou ainda as ameaças de uma “interferência inaceitável “.
Apesar da histórica parceria militar e econômica entre os dois países, as relações têm se deteriorado desde o início do segundo mandato de Trump, com atritos sobretudo em torno de questões tarifárias e migração.
Petro também defendeu maior integração latino-americana diante do que chamou de uma “ferida aberta” deixada pelo bombardeio a Caracas. Ele rejeitou represálias e, em vez disso, defendeu a união.
“A América Latina precisa se unir, ou será tratada como serva e escrava, e não como o centro vital do mundo. Uma América Latina com capacidade de compreender, negociar e se unir com o mundo inteiro. Não olhamos apenas para o norte, mas para todas as direções”, afirmou, criticando o que chamou de “ineficácia” da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos e propondo uma aliança regional, inclusive com apoio do Brasil.
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