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Sistema Cantareira, um dos principais reservatórios do Estado de SP, voltou a ficar abaixo dos 20% da capacidade ao longo da semana
atualizado
O Sistema Cantareira, que abastece cerca de metade da população da região metropolitana de São Paulo, voltou a ficar abaixo dos 20% de sua capacidade nesta semana. Neste domingo (11/1), o índice registrado é de 19,5%. Apesar do avanço do verão, a seca persiste e as represas têm recebido menos água do que o previsto para o período, o que afeta o nível dos reservatórios e aumenta o risco de desabastecimento.
No volume atual, o Sistema Cantareira permanece enquadrado na Faixa 4 – Restrição da ANA (veja mais abaixo).
A próxima análise está prevista para 31 de janeiro, e só a partir dessa data é definido se haverá mudança de faixa, com reflexos nos limites de captação adotados no mês seguinte.
“Caso o Sistema Cantareira atinja a Faixa 5, a chamada faixa especial, passam a valer medidas mais rigorosas, como a redução adicional da vazão captada, definida diretamente pelos órgãos gestores, com o objetivo de preservar os reservatórios e aumentar a segurança hídrica do sistema”, disse a agência.
Como funciona o monitoramento
O governo de São Paulo afirma que, desde outubro do ano passado, utiliza um modelo “inédito e mais moderno de acompanhamento e gestão integrada dos recursos hídricos”, criado para garantir a preservação dos reservatórios e dar segurança ao abastecimento de água para a população.
A gestão leva em conta o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), com a tomada de ações de acordo com o comportamento de todo o sistema.
Para assegurar previsibilidade, de acordo com a gestão estadual, as restrições só acontecem após sete dias consecutivos dos índices em uma mesma faixa. O relaxamento das restrições deve ocorreu após 14 dias consecutivos de retorno ao cenário imediatamente mais brando.
Neste domingo (10/1), o SIM opera com 27,5% de sua capacidade total, o que o enquadra na Faixa 3 operacional e significa uma Gestão de Demanda Noturna (GDN) de 10 horas por dia e intensificação de campanhas de conscientização.
Gestão de Demanda Noturna é uma estratégia de segurança hídrica que reduz a pressão na rede de água entre 19h e 5h para economizar o consumo de água. Ela é implementada em fases conforme o nível dos reservatórios, com durações que variam de 8h (Fase 2) a períodos maiores.
Entenda o Sistema Integrado Metropolitano (SIM)
O SIM reúne sete reservatórios interligados, entre eles o Sistema Cantareira, o que permite uma operação integrada e mais resiliente em situações de escassez hídrica.
A classificação por faixas faz parte de uma metodologia adotada pelo Governo do Estado, que estabelece sete níveis de atuação para o SIM.
“Esses níveis variam conforme os volumes armazenados nos períodos de chuva e de estiagem e permitem um gerenciamento preventivo dos recursos hídricos, com ajustes graduais na operação antes que a situação se agrave”, informa o governo.
O monitoramento dos mananciais paulistas é realizado 24 horas por dia pela SP Águas, a Agência de Águas do Estado de São Paulo. O centro de controle acompanha, em tempo real, os níveis dos reservatórios, as afluências, as vazões captadas e o comportamento hidrológico em todo o território paulista.
As informações são públicas e atualizadas diariamente. Acompanhe o monitoramento aqui.
As faixas de atuação:
- Faixa 1: Foco em prevenção, consumo consciente e início do Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA).
- Faixa 2: Níveis estáveis, mas em queda; implantação da Gestão de Demanda Noturna (GDN) de 8 horas e reforço no combate a perdas.
- Faixa 3: Cenário de atenção; GDN ampliada para 10 horas e intensificação das campanhas de conscientização.
- Faixa 4: Reservatórios abaixo da curva de segurança; redução de pressão por 12 horas e monitoramento contínuo dos volumes.
- Faixa 5: Níveis críticos; redução de pressão por 14 horas e priorização do abastecimento a serviços essenciais.
- Faixa 6: Criticidade alta; redução de pressão por 16 horas e controle máximo do sistema para preservar os mananciais.
- Faixa 7: Cenário extremo; rodízio regional de abastecimento e apoio com caminhões-pipa para garantir serviços prioritários.
Monitoramento do Sistema Cantareira
O Sistema Cantareira, um dos principais mananciais da região metropolitana de São Paulo, possui regras próprias de operação. Seu funcionamento é regido por uma resolução em vigor desde 2017, que se aplica exclusivamente a esse sistema, formado pelos reservatórios Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro.
A resolução estabelece cinco faixas de operação, definidas de acordo com o volume útil acumulado.
Na Faixa 1-Normal, o sistema opera com volumes iguais ou superiores a 60%. À medida que os níveis diminuem, o enquadramento avança para as faixas de 2-Atenção, 3-Alerta e 4-Restrição, até chegar à Faixa 5-Especial, quando o volume fica abaixo de 20%.
Cada faixa determina limites máximos de retirada de água, que se tornam progressivamente mais restritivos com o objetivo de preservar os reservatórios.
A definição das faixas não é automática ou diária. De acordo com a resolução, a avaliação é feita mensalmente pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela SP Águas, sempre ao final de cada mês, com base nos dados consolidados de armazenamento e nas condições hidrológicas.
Caso o sistema venha a ser enquadrado na Faixa Especial, passam a valer medidas mais rigorosas, como a possibilidade de redução adicional da vazão captada, definida diretamente pelos órgãos gestores.
As decisões como gestão de demanda noturna ou eventual rodízio, no entanto, não estão vinculadas diretamente à resolução específica do Cantareira. Essas medidas fazem parte da metodologia mais ampla de gestão hídrica do Governo do Estado e são de competência da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), que atua com base em protocolos técnicos e preventivos previstos no Plano Estadual de Segurança Hídrica.
Pouca água entrando
Além do baixo volume acumulado, chama a atenção o fato de que a vazão natural (quantidade de água que entra no reservatório) segue bastante abaixo do normal para esta época do ano. Já em plena estação chuvosa, o Cantareira não tem conseguido se recuperar.
As medições realizadas pela própria Sabesp mostram que o Cantareira recebeu apenas 14,53 metros cúbicos por segundo (m³/s) de água nos primeiros sete dias do ano, segundo os registros coletados na manhã de quarta.
Mesmo com a ressalva de que se trata de um curto período de tempo, a análise mostra que o volume é quase um quinto da média histórica para janeiro, que é de 67,3 m³/s.
Mais que isso, o maior sistema fornecedor de água da Grande São Paulo teve a pior primeira semana de um ano desde 2015, quando recebeu 13,49 m³/s, no auge da crise hídrica, com o reservatório afundado no volume morto.
A quantidade de água recebida entre os dias 1º e 7 é ainda menor do que em igual período de janeiro de 2014 (17,56 m³/s), em um verão tão seco que foi determinante para empurrar a região metropolitana na década passada para a escassez e caos no abastecimento. Na ocasião, entretanto, o Cantareira ainda tinha 26,4% da sua capacidade total.
O ano hidrológico teve início em outubro, quando a previsão de chegada das primeiras chuvas, que serviriam para repor o que foi perdido ao longo do inverno. Entretanto, o Cantareira tem perdido água desde então.
Há três meses, o sistema tinha 26,8% da capacidade. No dia 7 de novembro, já tinha despencado para 23,5%





