O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra na reta final de seu terceiro ano de mandato com uma agenda visivelmente remodelada, que busca não apenas reafirmar o chamado “lulismo”, mas também expandir o raio de atuação de seu governo em áreas como segurança pública, protagonismo feminino e a construção de um legado político para além de si mesmo.
Esse ajuste de discurso ocorre em meio a pesquisas que apontam tanto apoio quanto ceticismo à sua gestão e marca uma guinada estratégica que pode definir os próximos capítulos da política nacional.
Novo foco, novo discurso
Em recentes participações públicas, Lula incorporou temas antes menos típicos em seu repertório: fez questão de acenar para as mulheres em seu berço político de São Paulo, ao mesmo tempo em que passou a citar operações policiais de ampla repercussão como símbolo de um combate à criminalidade que ele considera urgente.
Em uma dessas falas, ressaltou que “não basta cuidar da pobreza, é preciso garantir a paz nas ruas”, apontando para o entrelaçamento entre políticas sociais e segurança duas frentes que tradicionalmente pertencem a campos políticos distintos no país.
“O lulismo continuará sem Lula”?
Uma das perguntas centrais em torno do seu governo é se o lulismo esse fenômeno político-ideológico construído em torno da figura de Lula e do PT sobreviverá caso ele não esteja em disputa. Algumas pesquisas sugerem que os brasileiros acreditam que sim, enquanto avaliam com mais reservas sua continuidade ou renovação de liderança.
Ao mesmo tempo, seu discurso ajustado indica uma tentativa de deixar marcas que ultrapassem sua própria figura seja ao fortalecer sua base feminina, seja ao buscar respaldo em institutos de segurança pública, setores até então menos alinhados ao seu histórico político.
O cenário das pesquisas
Segundo levantamento da Ipespe, cerca de 50% dos brasileiros aprovam a gestão de Lula uma recuperação frente a momentos de avaliação negativa. Ainda assim, outros estudos indicam que muitos cidadãos não se mostram otimistas em relação ao rumo do país sob seu governo.
Essa dualidade ao mesmo tempo de confiança moderada e de ceticismo cria um ambiente político delicado, que exige de Lula habilidade para articular e persuadir. Ele parece ter entendido isso: o novo discurso e a mudança de tom são parte da estratégia.
O que está em jogo para 2026
Com um olho nas próximas eleições e outro nas demandas imediatas da sociedade, Lula trilha uma linha tênue entre reafirmar sua liderança histórica e preparar o terreno para a continuidade de seu projeto. A abordagem voltada para grupos como mulheres, aliados à agenda de segurança pública e à retórica de que “o país precisa voltar a acreditar”, sinalizam que ele não quer apenas gerenciar o presente quer construir um legado.
Para muitos analistas, esse momento pode se revelar decisivo: se for bem sucedido, Lula deixa um legado; se tropeçar, abre espaço para que o lulismo se fragmente ou que a oposição ganhe novo fôlego.
Conclusão
É talvez irônico que aquele que muitos consideravam quase exclusivamente como gestor de programas sociais hoje ajuste seu discurso para também falar de fuzis, operações policiais e poder feminino. Isso por si só revela algo sobre a política brasileira contemporânea: menos ideologias puras, mais pragmatismo discursivo. E, nesse sentido, o lulismo de 2025 não é apenas o legado de um líder é o ensaio de uma estratégia que busca sobreviver além dele.
Escrito por Gabriel Silva
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Fontes:
•“Brasileiros acreditam que lulismo continuará sem Lula, diz pesquisa” Metrópoles
•“Lula reclama de agenda insuportável antes de viajar para a Ásia” – Poder360
•“Em guinada, Lula incorpora discurso contra criminalidade…” – O Globo






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