PF prende executivos do Banco Master, BC decreta liquidação e governo cobra “processo robusto”

Por Gabriel Silva

A crise envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (18/11), após a prisão de dois ex-dirigentes da instituição e a determinação de liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC). As ações têm como pano de fundo investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades na emissão de títulos de crédito.

Prisão de Daniel Vorcaro

A Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em operação que cumpriu mandados em São Paulo, Distrito Federal e outros estados. Vorcaro foi detido ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para seguir viagem ao exterior.

Segundo a PF, ele é investigado por supostamente liderar um esquema de emissão de créditos sem lastro, negociados no mercado como se tivessem garantias reais. O caso teria provocado desequilíbrio interno e risco aos investidores e ao sistema financeiro.

Prisão de Augusto Lima

Também foi preso Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e ex-tesoureiro do Banco Master. Ele é suspeito de integrar o mesmo núcleo de decisões que teriam permitido a circulação de títulos irregulares e a movimentação de valores considerados incompatíveis com as normas do setor.

As prisões integram o mesmo inquérito e foram autorizadas pela Justiça Federal.

Banco Central decreta liquidação extrajudicial

Em paralelo às ações da PF, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Segundo o órgão, foram identificadas “graves anomalias” na gestão financeira e risco de continuidade das operações. A decisão afeta também empresas coligadas e subsidiárias.

Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passa a atuar na cobertura de depósitos dentro do limite previsto em lei. A medida coloca clientes e credores em estado de atenção, mas segue os protocolos aplicados em casos de intervenção e insolvência.

Reação do governo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o processo de liquidação “precisa ser robusto” e conduzido com rigor técnico. Segundo ele, o caso exige transparência e responsabilidade para evitar efeitos colaterais sobre o sistema financeiro e sobre outros bancos de médio porte.

Haddad destacou ainda que o BC agiu dentro das normas ao intervir e que a apuração sobre as responsabilidades individuais deve seguir com independência.

Impactos e próximos passos

O caso do Banco Master envolve, simultaneamente, investigação criminal, intervenção regulatória e repercussão no mercado financeiro. Entre os pontos que seguem em aberto estão:

• definição do passivo total e dos valores que poderão ser ressarcidos;
• análise das operações que teriam sido realizadas sem lastro;
• extensão de possíveis responsabilidades de outros executivos;
• impactos para investidores que adquiriram títulos emitidos pela instituição.

A PF deve apresentar novos detalhes do inquérito nos próximos dias, enquanto o Banco Central avança no processo administrativo de liquidação.


Fontes:
Metropoles – “PF faz operação no BRB e prende Daniel Vorcaro, do Banco Master”
Metropoles – “PF prende banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e tesoureiro do Master”
Metropoles – “Banco Central determina liquidação extrajudicial do Banco Master”
Metropoles – “Haddad comenta processo de liquidação do Master: ‘deve ser robusto’”

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