Tarcísio apoia Flávio, mas sem perder a esperança de o substituir

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A direita segue refém da família Bolsonaro, a dono dos votos

 atualizado 

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, não poderia seguir calado depois que o senador Flávio Bolsonaro, autorizado por seu pai, lançou-se candidato a presidente da República em 2026. Foram 72 horas de um incômodo silêncio para quem sempre disse que respeitaria a decisão de Bolsonaro, fosse ela qual fosse.

“Sempre disse que eu ia ser leal ao Bolsonaro, que eu sou grato ao Bolsonaro, eu tenho essa lealdade e é inegociável”, explicou-se. Perguntado sobre a recente pesquisa Datafolha, que mostra Flávio 15 pontos percentuais atrás de Lula, Tarcísio comentou: “Isso a gente vai avaliar com o tempo. A gente tem tempo de maturação”.

O tempo para Tarcísio se esgota em meados de março próximo. Para se candidatar a presidente, se fosse o caso, ele teria de renunciar ao governo de São Paulo nos primeiros dias de abril, deixando a casa arrumada e as articulações políticas a ponto de bala para eleger seu sucessor. O tempo, pois, corre contra ele.

De resto, não basta que a candidatura de Flávio não cresça até lá, ou murche. O senhor dos desígnios de Bolsonaro é Bolsonaro e sua família. Com Flávio estancado ou murcho, o clã poderá preferir seguir em frente para não perder relevância ou para não entregar seu patrimônio de votos a quem considere pouco confiável.

A fragmentação da direita abrirá passagem para o quarto mandato de Lula. Só quem poderia evitá-la seria Tarcísio. Por enquanto, ele é carta quase fora do baralho. Mas a fragmentação poderá também abrir passagem para que Flávio dispute o segundo turno. É nisso que aposta a família Bolsonaro para permanecer em cena.

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